16

[Resenha] Todo Dia

em quinta-feira, 14 de novembro de 2013


Todo Dia
David Levithan
Galera Record
279 páginas

Todo Dia escrito por David Levithan é um livro único, impossível de não se emocionar.

Na história, conhecemos A, um protagonista difícil de descrever. Todo dia, A acorda em um corpo, independente se é do sexo feminino ou masculino. Não importa também o lugar, independente da escolha, A sempre está em um corpo diferente e precisa se adaptar com essa mudança.


“Acordo. Imediatamente preciso descobrir que sou. Não se trata apenas do corpo – de abrir os olhos e ver se a pele é clara ou escura, se meu cabelo é comprido ou curto, se sou gordo ou magro, garoto ou garota, se tenho ou não cicatrizes. O corpo é a coisa mais fácil à qual se ajustar quando se está acostumado a acordar em um corpo novo todas as manhãs. É a vida, o contexto do corpo, que pode ser difícil de entender.”

Após 16 anos vivendo dessa forma, A aprendeu que não pode interferir nem se envolver, ele segue o dia conforme se recorda das lembranças do corpo que está habitando naquele momento. 

Até que uma manhã acorda no corpo de Justin e conhece sua namorada, Rhiannon. Um dia foi o suficiente para A mudar todas as suas regras. Ele precisava reencontrá-la, independente que depois de 24 horas ele está em outro corpo e muito distante. Nada impede A de querer passar mais um dia com Rhiannon.

Aos poucos, A começa a questionar toda a sua existência em nome desse sentimento único: o amor.

Antes de começar a leitura, li vários comentários positivos sobre o livro, e a minha curiosidade apenas aumentou. E posso dizer que o livro surpreende. Eu acompanhei a escrita de David Levithan através do livro Will & Will, e forma como ele escreve vicia. É uma escrita fluída, clara, onde conseguimos sentir todas as emoções dos personagens, ao mesmo tempo em que descobrimos um pouco mais da trama.

É interessante a forma que ele descreve os dias de A, alguns em um corpo de mulher, outros, em um corpo de um homem. Não existe preconceito, ou qualquer descrição depreciativa. O autor se preocupa em evidenciar os sentimentos, mostrando a igualdade do ser humano quando é assunto é emoção.

“Vamos até a esquina onde algumas pessoas estão protestando contra a comemoração. Não entendo o porquê. É como protestar contra o fato de algumas pessoas serem ruivas.
Na minha experiência, desejo é desejo, amor é amor. Nunca me apaixonei por um gênero. Apaixonei-me pó indivíduos. Sei que é difícil as pessoas fazerem isso, mas não entendo por que é tão complicado, quando é tão óbvio.”

O livro é muito mais que descrever o romance entre A e Rhiannon e toda a dificuldade em se encontrarem após 24 horas. Cada um tem um luta para enfrentar, dificuldades para superar, e ainda precisa existir a aceitação de cada dia, A estar em uma aparência diferente. 

O autor se preocupou em mostrar a importância em aceitar a pessoa, independente do seu exterior. Existe a dificuldade em Rhiannon aceitar A toda vez que ele está em um corpo de mulher, mas ela sente os sentimentos dele. Assuntos como drogas, depressão, suicídio, homossexualismo, são tratados durante a história, isso tudo pelo ponto de vista A e sua vasta experiência, quebrando velhos preconceitos, aceitando todas as oportunidades que são oferecidas pela vida.

“Um dos cartazes dos manifestantes chama minha atenção. Está escrito: “HOMOSSEXUALISMO É OBRA DO DIABO”. E, mais uma vez, penso em como as pessoas usam o diabo para dar nome às coisa que teme. A causa e o efeito estão invertidos. O diabo não obriga ninguém a fazer coisas. As pessoas é que fazem as coisas e culpa o diabo por isso.”

Talvez o único ponto negativo na história, é que não existe uma explicação para a condição de A. Confesso que depois de todas as páginas de reflexões durante a história, é fácil notar que foco do livro não é explicar o que A é. Mas mostrar de uma forma única, que independente do que vemos no exterior, precisamos enxergar o que a pessoa traz: seus sentimentos.

A edição da Galera está ótima, e preciso parabenizar a tradução da Ana Resende, onde ela conseguir expressar a essencialidade de A, sem caracterizá-lo como homem ou mulher.

Em outras palavras, Todo Dia é imperdível e de leitura obrigatória. Impossível não se apaixonar e não se identificar com os dilemas vividos por A e Rhiannon.

Nota:
 



16 comentários:

  1. Michelli Santos Prado14 de novembro de 2013 10:49

    Olá Carla, tudo bem??
    Ansiosa pra ler esse livro com esta historia super diferente! Fiquei curiosa a respeito de A e sua história de viver em um corpo diferente todo dia. Deve ser uma coisa de louco. Adorei a resenha...

    Beijos♥

    ResponderExcluir
  2. Estou lendo este livro e acho que termino hoje mesmo, é incrível e não dá pra largar!!!

    Estou adorando.

    Beijo, Van - Blog do Balaio

    http://balaiodelivros.blogspot.com.br/2013/11/sorteio-de-uma-filmadoracamera.html

    ResponderExcluir
  3. Realmente todos falam maravilhosamente bem deste livro... mas a premissa não parece que irá me agradar, não sei porque achei um pouco sem pé nem cabeça (literalmente) quem sabe um dia eu dê uma oportunidade a ele de me surpreender né mesmo?
    :*

    ResponderExcluir
  4. Não conhecia esse livro e só depois que citou o "Will & Will" que fui me dar conta que é a mesma pessoa!
    Adorei a história e principalmente as quotes. Não tenho dúvidas de que quero e preciso ler esse livro. Adoro livros que passam essas mensagens abertas, contra tudo de ruim que as pessoas cometem por ignorância, sempre se preocupando em se livrar da culpa ou naturalizando coisas que, convenhamos, não são naturais.

    ResponderExcluir
  5. Oi Mallu!
    O livro é perfeito! Não consegui parar!
    É muito bom!
    bjs!

    ResponderExcluir
  6. Oi Raissa!
    Torcendo para que tenha a oportunidade de ler \o/
    Bjs!

    ResponderExcluir
  7. Oi Michelli!
    Você vai gostar \o/
    bjs!

    ResponderExcluir
  8. Parabéns pela resenha Carla! Estou ansiosa para ler Todo Dia! Beijo!

    www.newsnessa.com

    ResponderExcluir
  9. A resenha despertou minha curiosidade,acerca de como é viver a cada dia um corpo diferente,instigante!

    ResponderExcluir
  10. Tenho lido opiniões divergentes dessa trama Carla!

    Bjo!

    http://meuhobbyliterario.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
  11. Carla com certeza um livro emocionante pela
    história,personagens, e essa situação inusitada de acordar em um corpo
    diferente até se apaixonar e ter a esperança de viver esse amor,as emoções
    devem ser bem descritas mesmo e comover o leitor para continuar lendo e
    acompanhar A.

    ResponderExcluir
  12. Eu também tive essa curiosidade de saber o porque dessa condição na vida de A, mas a leitura é tão maravilhosa que depois de algum tempo, não me fiz mais essa pergunta porque acho que foi realmente isso que o autor quis evidenciar, os sentimentos e caráter da pessoas, independente de sexo, religião e raça! Achei uma das melhores leituras que fiz esse ano, com certeza! :)

    ResponderExcluir
  13. Oi!
    Deve ser afitivo ter que convencer a pessoa que você gosta de que é você e ainda superar as barreiras. Deve ser interessante.
    bjs

    ResponderExcluir
  14. Estou curiosa para ler esse livro, todos que leram falaram muito bem da narrativa que o autor teve ao fazer o livro, ja vejo a hora de poder ler!




    xx

    ResponderExcluir
  15. Adorei esse livro, Carla. Sua resenha está ótima. Tb fiz resenha dele no meu blog http://murronocranio.wordpress.com/. Recomendo a todos, ótima leitura!

    ResponderExcluir

 
Google+