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[Resenha] Céu Sem Estrelas

em terça-feira, 31 de julho de 2018
Olá, pessoal!

Vamos conferir a resenha da Beta, sobre o livro Céu sem Estrelas da Iris Figueiredo?

Confesso que não esperava o que encontrei neste livro. Embora não tenha os mesmos problemas que Cecilia, consigo me identificar com algumas das razões da insatisfação dela.
E sim, ver sua vida ser medida – e determinada – pela régua alheia pode causar sérios danos a você mesma.

Céu sem estrelas – Iris Figueiredo – Seguinte
(2018)
Personagens: Cecilia Souza e Bernardo Campanati

A vida de Cecília tinha chegado a um ponto onde nada funcionava: demitida, péssima relação com a mãe que priorizava o padrasto, insatisfeita e se sentindo totalmente deslocada no mundo. Abrigada na casa de amigos, começa a perceber que os sentimentos por Bernardo são além da amizade, mas quando até isso sai dos trilhos, ela sente que nada mais – além da dor – faz sentido. E que tipo de amanhã pode haver para quem não tem mais estrelas no céu?

Comentários:

- Eu respondo a pergunta acima: não podemos desistir diante dos problemas, porque todos eles passam. E no caso de Cecília – e assim foi no meu – a orientação é buscar ajuda. Às vezes, não basta ter fé e esperar, precisamos agir e contar com a orientação e o apoio de especialistas que vão indicar as melhores formas de passar pela turbulência e sair mais forte dela. Não vai ser fácil. Mas vai te tornar mais forte. Pode crer.

- Cecília era infeliz e tinha razões de sobra: nunca se sentiu verdadeiramente amada, o que a fez duvidar do sentimento de todas as outras, inclusive de quem gostava dela sem restrições. O mais cruel é que nem ela se amava. Como poderia, se não tinha o conhecimento deste sentimento sem alguma condicional “se eu fosse assim ou assado”. Sempre se sentiu deslocada por causa de tudo que sempre ouviu a respeito da própria vida. Como ouvi recentemente em uma palestra, a culpa – que a gente tem ou pensa ter – é a mãe de todos os problemas: ela não nos deixa ser livres, nos prende ao remorso, faz com que tenhamos uma visão correta de nós mesmos, nos deixa para baixo e alimenta outros sentimentos semelhantes. Quem vai ser feliz se sentindo indesejada, um incômodo, alvo da pena de todos e que só faz tudo errado?

- Ah, ela era infeliz por ser gorda. Não. Ela era infeliz, isso fazia com quem não tivesse autoestima e aí vem o efeito dominó de se sentir desconfortável no próprio corpo. E sempre se comparar com os outros e sair perdendo na comparação. E ainda tem aquelas criaturas que, intencionalmente ou não, ajudam a cimentar este pensamento com frases “bobinhas” que vão onde mais doem (eu me vi dando kabongadas numa tia de Cecília em alguns trechos da história. Sério).

- Não estou dizendo que é pra adotar a atitude oposta “eu me amo, me adoro, não consigo viver sem mim”. É apenas para ter uma visão mais realista de si mesma: não existe perfeição. O livro deixa isso bem claro ao mostrar que os personagens são mais por trás das aparências: amei Rachel não se deixar limitar por uma cadeira de rodas e amei ver que a família que Cecília julgava ser perfeita tinha rachaduras graves.

- Você não precisa seguir padrões que são determinados pelo mercado, por uma visão da sociedade. O maior valor do mundo está nas diferenças: se todo mundo fosse igualzinho, que graça teria? Eu gosto do meu cabelo maluco, gosto de usar óculos, detesto usar saltos e ai de quem tenta sugerir o contrário. Nunca serei capa de revista, mas e daí? A gente tem que filtrar o que ouve por aí, para não acabar doente de verdade. E tem gente que se sacrifica de forma bárbara para atingir isso, sendo que nem era necessário. Olhem os quadros do Renascimento Italiano e do Maneirismo: o modelo de beleza feminina dos artistas era totalmente diferente do atual. Ou seja, se a beleza está nos olhos de quem vê, façamos nossos olhos enxergar o que é realmente bonito – e como diz em O Pequeno Príncipe: o essencial é invisívelaos olhos -, não o que dizem ser.

- Por não ter esta base emocional e sentimental, Cecília sofre. Por não encontrar apoio e se sentir sozinha, ela sofre. Por não conseguir se adaptar, ela sofre. Por tentar ignorar tudo isso e fazer de conta que vai passar magicamente, ela sofre. O livro vai mostrando o caminho que a leva a não conseguir mais fugir de si mesma e como ela (não) lida com isso. A situação de Cecília gera consequências dolorosas, lidando com a vergonha ainda maior de si mesma, o fato de não conseguir se abrir nem com as pessoas em quem confiava e no fato de que temia que todo mundo a considerasse louca. (Ignora os sábios de plantão e os doutores formados em internet e procure alguém que ajude a entender as causas, tratar as consequências: psicólogo, psiquiatra, terapeuta. Sério. Faz muita diferença – para melhor)

- Por mais que algumas pessoas queiram realmente ajudar, é a própria Cecília que precisará encontrar a forma de se dar um basta. Se nós somos nosso próprio veneno, somos também a cura. Ninguém será capaz de fazer com que a gente se sinta bem por mágica. Não existe bibidi babidi boo. É algo que precisamos construir em nós mesmos. Cecília vai perceber que todo dia é uma luta diferente, alguns são bons, outros são ruins, e tem aqueles que são melhores, mas um fusca azul pode ter tudo que ela mais ama e inspirá-la a seguir em frente.

- Músicas fazem parte da minha terapia e já comentei a importância que o Il Volo tem na minha vida. Enquanto lia a trajetória de Cecília, ouvi várias vezes uma música que é da Natalia Jiménez com quem eles cantaram na apresentação do Latin Grammy em 2015. Recomendo conferir, prestando atenção na letra!


Bacci!!!

Beta

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