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[Resenha] O Sol na Cabeça

em terça-feira, 16 de outubro de 2018
Olá, pessoal!

Vamos conferir a resenha da Beta sobre o livro O Sol na Cabeça?

Ciao!

Esta leitura é uma experiência que tira o leitor(a)-comum (onde estou me enquadrando) do eixo a que estar acostumado, ao dar vozes, cores e histórias a quem geralmente não tem este acesso direto.
O sol na cabeça – Geovani Martins – Companhia das Letras
(2018)

São 13 contos narrados por protagonistas que moram nas periferias ou na favela do Rio de Janeiro. Portanto, deixe um pouco de lado o que você pensa saber – geralmente fruto do que ouve e vê sobre eles, muitas vezes, com razão – mas aproveite para escutar o que o outro lado tem a dizer.

Eles vão te falar sobre pobreza; sobre esperanças que se desfazem; sobre drogas; sobre infância vivida, perdida, temida; sobre o posicionamento “nós contra o mundo” alimentado e alimentando o “mundo contra nós”.

Confesso que alguns contos escritos da forma como os personagens falam causaram um choque, primeiro pelo óbvio – algumas palavras e expressões não faziam o menor sentido para mim. Segundo pela consequência: não faziam sentido porque era uma realidade que eu não conhecia, nem mesmo pela literatura, já que os autores e autoras “traduzem” as falas para o Português canônico. Ou seja, filtram o linguajar natural – permite o acesso de alguns, mas restringe a liberdade de expressão de outros.

Não estou atribuindo juízo de valor, até porque, como diz minha mãe “ninguém nasce com sinal de bondade na testa” e caráter independe de classe social. O que estou ressaltando é que, além do certo ou errado, o livro dá voz a quem não tem e – ao contrário de outras narrativas semelhantes – não soa estereotipado ou preparado para agradar à parcela de leitores que não tem contato com a realidade.

Ele nos dá recortes de como a vida é além do mundinho da maioria das pessoas: o mundo da pipa, das drogas comedidas, no mergulho no tráfico, da pichação, das mães e dos pais que lutam pelos filhos ou que desistiram deles, dos conflitos por causa de religião ou da criminalidade, do olhar de medo e de desconfiança que recebem dos outros na rua, da forma como encaram os policiais (confesso que demorei para entender a forma como eles se referiam aos policiais), dos laços que se formam na comunidade e o que acontece com os que não seguem as regras.

Vidas passam, se entrelaçam, se complicam, se perdem, andam no fio da navalha e tentam se equilibrar. Realmente foi um dos livros mais diferentes que li este ano por não me poupar – nem poupar os personagens – de nada. Seja da vida ou da morte. Está ali. Basta querer ler e mergulhar neste mundo onde o sol nasce e se poe todo dia na moleira de todos - do morro ao asfalto.
  
Bacci!!!


Beta


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